O elemento essencial

Recentemente, em uma viagem, fiz algo inédito para mim: subi um vulcão.

Toda a experiência foi muito marcante, mas um ponto me parece ser o elemento essencial que habilita as pessoas até mesmo a sonharem com tal aventura (e aventuras ainda maiores): saúde.

Ao contrário do que se pode pensar, não há necessariamente que ser jovem. O instrutor mencionou que a pessoa de mais idade que ele já acompanhou ao topo do vulcão tinha 82 anos (e que foi muito bem!).

Mas como chegar a ser tão saudável que se possa subir um vulcão aos 82 anos?

Certamente não há uma resposta mágica para tão grande questionamento, mas várias pequenas peças que, combinadas, aumentam as chances de constituir tal façanha em realidade na própria vida.

Naturalmente, há que começar por não morrer antes. Hoje, no Brasil, as mais prevalentes causas de morte são: doenças cardiovasculares, doenças cerebrovasculares, demências, infecções de vias aéreas inferiores, DPOC, violência interpessoal, diabetes.

Já contamos, então, com um direcionamento inicial:

⁃ Não fumar

⁃ Consumir álcool em pequena quantidade

⁃ Realizar exercícios físicos regularmente

⁃ Dormir bem

⁃ Alimentar-se de forma saudável e sem exageros

⁃ Cuidar-se de maneira redobrado no trânsito

⁃ Não se envolver em brigas

Ainda que verdadeiras, essas orientações me parecem genéricas e permanece a falta de instrução de como realizar tais cuidados pensando em cada pessoa individualmente. Assim, vemos que orientações gerais de mudança de estilo de vida podem ter eficácia apenas modesta, afinal, cada ser é diferente do outro.

O olhar especializado do médico de família é capaz de compreender o indivíduo por completo, avaliando sua história pregressa, os hábitos de vida atuais, os riscos relacionados a doenças familiares e os exames necessários em cada etapa da vida.

Buscar a versão mais saudável de si mesmo, para aumentar as chances de chegar aos 82 anos capaz de subir um vulcão, começa por identificar doenças precocemente e adquirir hábitos saudáveis hoje!

Dra Angela Brustolin

Médica de família

CRM 28035 | RQE 25770

Atendimento presencial e telemedicina

Agendamento de consultas: 49 3328 6299

Uma carta do futuro

Sugiro começar essa leitura com uma atividade: imagine-se aos 70 anos.


Quando eu fiz esse exercício, imaginei-me trabalhando ainda algumas horas por dia (não tanto quanto hoje, mas ainda ativa), com filhos e netos que eu iria encontrar aos fins de semana. Imaginei viagens e passeios com o esposo, jogos de tabuleiro com amigos, mergulhos no mar.


Tudo isso, hoje eu vejo com clareza, requer um elemento central indispensável: saúde.


É muito comum que o estímulo a cuidar da saúde ocorra apenas quando a pessoa começa a perceber algum problema. Não à toa uma das doenças mais comuns da prática clínica é a obesidade.


As doenças crônicas não transmissíveis são consideradas hoje a principal causa de carga de doença no mundo. Em 2019, no Brasil, esse grupo de doenças foi o responsável por 62% da mortalidade prematura e 85% dos anos de vida perdidos por incapacidade.


As doenças cardiovasculares (infarto, AVC), as neoplasias (cânceres), as doenças respiratórias crônicas e o diabetes explicaram mais de 70% da mortalidade prematura.


Já no quesito incapacidade, as maiores causas são doenças musculoesqueléticas (dor lombar, dor cervical), transtornos mentais (depressão, ansiedade), doenças neurológicas (enxaqueca) e alterações sensoriais (perdas auditivas e visuais).

Uma doença que permeia os problemas de saúde e é fator de risco para várias complicações é a obesidade. No Brasil e no mundo, a epidemia de obesidade ganha força. Atualmente, o excesso de peso afeta mais de 2 bilhões de pessoas no mundo e é responsável por cerca de 4 milhões de mortes anualmente.


Engana-se quem pensa que, por aumentarem as taxas de obesidade, extinguiu-se a desnutrição. A desnutrição não está necessariamente ligada à magreza, mas também pode ocorrer concomitantemente ao ganho de peso, relacionado à má alimentação, consumo excessivo de gorduras, sódio e açúcares, além de baixo consumo de nutrientes e vitaminas.


Ações de conhecimento geral como alimentação rica em alimentos in natura, evitar ultraprocessados, realizar atividade física e dormir bem são essenciais a todos.


Além dessas, há que se individualizar os cuidados, investigando caso a caso os fatores de risco, exposição ambiental, tipo de trabalho e de hobby, história de doenças na infância e na família, realizando diagnóstico precoce e intervenção preventiva adequadas a cada realidade.


O envelhecimento saudável, quando visto como prioridade desde a juventude, permite que a pessoa investigue de forma individualizada e aplique na própria vida ações direcionadas acertadamente a um futuro com mais autonomia, bem estar e saúde física e mental.


Se você, assim como eu, imagina o seu Eu futuro ativo e sadio, o dia de começar a cuidar é hoje.

Dra Angela Brustolin

Médica de Família

CRM 28035 | RQE 25770

Duncan, Bruce B; Schmidt, Maria Ines; Giugliani, Elsa R. J. . Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2022. 2 v. (xxxi, 973 p.; xxxi, 2250 p.)
Institute for Metrics and Evaluation Metrics. GBD Compare. IHME Viz Hub [Internet]. Washington: University of Washington; 2019 [capturado em 01 abr. 2021]

Dicas para dormir melhor!

Dormir bem é um pré requisito tão importante para o bom funcionamento do corpo humano quanto a alimentação saudável.


Ainda assim, nem todas as pessoas conseguem desfrutar do desejado “sono dos deuses”.


Hoje, nós dormimos aproximadamente 25% menos do que os seres humanos de 1 século atrás, entretanto não há evidência de que necessitamos de menos tempo de sono.


Em média, um terço da população adulta experimenta dificuldades no sono, seja no início (para “pegar no sono”), sono interrompido ou despertar precoce.

Como saber se o que eu tenho é insônia?


A insônia é a dificuldade percebida pela pessoa com o início, duração, consolidação ou qualidade do sono, e que gera algum tipo de prejuízo ou sofrimento. Para completar os critérios diagnósticos, deve ocorrer ao menos 3 noites por semana por 3 meses.


No entanto, toda dificuldade relacionada ao sono deve ser avaliada pelo seu médico.

Quem tem insônia tem maior risco de outros problemas de saúde?


A insônia frequentemente pode coexistir com outros transtornos de saúde, principalmente SAOS (síndrome da apneia obstrutiva do sono), síndrome das pernas inquietas, depressão, transtorno de ansiedade, doença do refluxo gastroesofágico, fibromialgia, diabetes, obesidade, hipotireoidismo, insuficiência cardíaca e renal.

Quero começar a melhorar meu sono ainda hoje! O que fazer?


O manejo da insônia preferencialmente deve iniciar por medidas não farmacológicas. O uso de medicamentos deve ser indicado apenas em casos selecionados, e não como a única forma de tratamento.


A terapia cognitivo comportamental (um tipo de terapia realizada por psicólogos) pode ter efeitos muito benéficos no tratamento da insônia, tanto a curto quanto longo prazo, com efeitos colaterais mínimos.


É fundamental realizar a higiene do sono!


• Realizar atividade física durante o dia
• Organizar as atividades do dia seguinte fora da cama, antes do horário de dormir
• Evitar cochilos prolongados durante o dia
• Ir para a cama apenas quando estiver com sono. Se houver dificuldade para dormir, sair da cama e procurar uma atividade relaxante até ficar sonolento.
• Evitar telas, luz intensa e barulho próximo ao horário de dormir
• Evitar refeições muito fartas à noite
• Levantar no mesmo horário todos os dias, a despeito do horário de adormecer
• Evitar bebidas com cafeína (café, chimarrão, chá preto, guaraná) e álcool 4 a 6 horas antes de dormir


Ainda, podemos utilizar técnicas específicas de visualização e relaxamento para melhorar a qualidade do sono naturalmente.

Dra Angela Brustolin

Médica de Família

CRM 28035 | RQE 25770

Duncan, Bruce B; Schmidt, Maria Ines; Giugliani, Elsa R. J. . Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2022. 2 v. (xxxi, 973 p.; xxxi, 2250 p.)
Doghramji PP. Detection of insomnia in primary care. J Clin Psychiatry. 2001; 62 (Suppl 10): 18-26.
Winkelman JW. Clinical Practice. Insomnia Disorder. N Engl J Med. 2015;373 (15): 1437-44.
American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM 5. 5 ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.
van Straten A, van der Zweerde T, Kleiboer A, Cuijpers P, Morin CM, Lancee J. Cognitive and behavioral therapies in the treatment of insomnia: a meta-analysis. Sleep Med Rev. 2018;38:3-16.

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