Sugiro começar essa leitura com uma atividade: imagine-se aos 70 anos.
Quando eu fiz esse exercício, imaginei-me trabalhando ainda algumas horas por dia (não tanto quanto hoje, mas ainda ativa), com filhos e netos que eu iria encontrar aos fins de semana. Imaginei viagens e passeios com o esposo, jogos de tabuleiro com amigos, mergulhos no mar.
Tudo isso, hoje eu vejo com clareza, requer um elemento central indispensável: saúde.
É muito comum que o estímulo a cuidar da saúde ocorra apenas quando a pessoa começa a perceber algum problema. Não à toa uma das doenças mais comuns da prática clínica é a obesidade.
As doenças crônicas não transmissíveis são consideradas hoje a principal causa de carga de doença no mundo. Em 2019, no Brasil, esse grupo de doenças foi o responsável por 62% da mortalidade prematura e 85% dos anos de vida perdidos por incapacidade.
As doenças cardiovasculares (infarto, AVC), as neoplasias (cânceres), as doenças respiratórias crônicas e o diabetes explicaram mais de 70% da mortalidade prematura.
Já no quesito incapacidade, as maiores causas são doenças musculoesqueléticas (dor lombar, dor cervical), transtornos mentais (depressão, ansiedade), doenças neurológicas (enxaqueca) e alterações sensoriais (perdas auditivas e visuais).
Uma doença que permeia os problemas de saúde e é fator de risco para várias complicações é a obesidade. No Brasil e no mundo, a epidemia de obesidade ganha força. Atualmente, o excesso de peso afeta mais de 2 bilhões de pessoas no mundo e é responsável por cerca de 4 milhões de mortes anualmente.
Engana-se quem pensa que, por aumentarem as taxas de obesidade, extinguiu-se a desnutrição. A desnutrição não está necessariamente ligada à magreza, mas também pode ocorrer concomitantemente ao ganho de peso, relacionado à má alimentação, consumo excessivo de gorduras, sódio e açúcares, além de baixo consumo de nutrientes e vitaminas.
Ações de conhecimento geral como alimentação rica em alimentos in natura, evitar ultraprocessados, realizar atividade física e dormir bem são essenciais a todos.
Além dessas, há que se individualizar os cuidados, investigando caso a caso os fatores de risco, exposição ambiental, tipo de trabalho e de hobby, história de doenças na infância e na família, realizando diagnóstico precoce e intervenção preventiva adequadas a cada realidade.
O envelhecimento saudável, quando visto como prioridade desde a juventude, permite que a pessoa investigue de forma individualizada e aplique na própria vida ações direcionadas acertadamente a um futuro com mais autonomia, bem estar e saúde física e mental.
Se você, assim como eu, imagina o seu Eu futuro ativo e sadio, o dia de começar a cuidar é hoje.
Dra Angela Brustolin
Médica de Família
CRM 28035 | RQE 25770

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